Memorial Formativo de:
Marta Machado Zinelli
Alegrete, abril 2009.
Universidade Federal do Rio Grande do sul
UFRGS
Instituto Federal Farroupilha
Curso de Formação de Docentes e Gestores no Âmbito do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a EducaçãoBásica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos
PROEJA
Professor:
Rafael Arenhaldt
Apresentação
Férias do ano de 2008/2009. Momento para descansar, curtir a família, passear, colocar a casa e vida ¨em dia¨.
Será só isto?
Não, nessas férias, além de realizar tudo acima citado, me vejo frente a frente comigo mesma. Pois preciso elaborar a escrita de um Memorial Formativo, solicitado pelo Curso PROEJA, na disciplina In(ter)venções Pedagógicas. Como fazer?!?
Corri para a frente do espelho, não me reconheci.Solicitei apoio aos álbuns fotográficos, daí então, fiz linda viagem ao passado e, at
avés desta, aterrizei onde hoje estou. Defini quem sou. Tive orgulho de mim mesma. E, reconheci a real importância que exerso em minha família, minha sociedade,à vida dos que me rodeiam, assim como a minha própria.
Começo então a entender quem é Marta Machado Zinelli.
PRIMEIRO ÁLBUM
Fotos juntos aos familiares.
Recordações de festas de aniversários, amigos, colegas. Ainda, refrigerantes em garrafas de vidro.Nada de muita decoração como as de hoje, mas fraternas, tranqüilas.
SEGUNDO ÁLBUM
Minha vida escolar começou aos 06 anos de idade, no Jardim de Infância, no Grupo Escolar Demétrio Ribeiro. Hoje, Escola Estadual de Ensino Médio Demétrio Ribeiro.
Lembro-me quando a professora Maria de Lurdes decorava a sala de aula e pedia-me
para ler os cartazes, pois eu era semialfabetizada, isto aconteceu em casa.
Quando estávamos no pátio da escola, tudo era festa. Brincadeiras com bola, corda, correrias. Era legal.
Já na primeira série, nem tudo me chamava atenção, me sentia cansada, gostava mesmo era de desenhar.Prestava atenção quando os colegas eram chamados para lerem em voz alta e irem ao quadro, quando chamados.
Líamos ¨Ivo viu a uva ¨,Naná nana o nenê ¨. Ainda me recordo dessas frases, pois a repetição era constante.
Estudei nesta escola até a 8ª série. Sempre fui uma aluna tranqüila, realizava, todas as tarefas propostas pelos professores e tinha excelentes notas. Daqui, fui direto para o Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, onde cursei 03 anos de Oficial de Farmácia.
TERCEIRO ÁLBUM
Sempre pensei em ser professora . Optei pelo curso de Estudos Sociais, na época com duração de 03 anos-Licenciatura Curta. Realizei o estágio em uma turma de 5ª série na Escola Estadual Marquês de Alegrete. Conclui o curso pelo CIESA (Centro Integrado de Ensino Superior de Alegrete).
¨Bom... pelo menos todo mundo diz que ser educadoras é função de mulher. A mulher tem isso no sangue. Mesmo que ela não tenha aquele título de professora, ala educa em casa, educa em qualquer lugar. Também isso é uma coisa tradicional, porque a profissão de alguns anos atrás , era o magistério. Era a única forma que a mulher tinha de trabalhar. Isto é histórico e raízes a gente não perde nem cortando¨.
Bruschini e Amado
QUARTU ÁLBUM
Em 1988 casei e fui morar na zona rural.
QUARTO ÁLBUM
No dia 10 de abril de 1989 nasce minha primeira filha, a Cristiane. Foi pra mim um acontecimento muito especial, me emociona a cada vez que lembro esse fato, ao rever as fotos etc.
De volta à cidade, residi na Rua dos Andradas, onde tive uma vizinha com uma filha da idade da minha. As duas ingressaram juntas à escola, em 1995. Cursaram a pré-escola, hoje Educação Infantil, no Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha. Escola na qual cursei Oficial de Farmácia.
Quando Cristiane foi para a escola, eu já estava grávida da minha 2ª filha. Em 13 de maio de 1995 nasceu a Mariane, esperada por todos.
Até ai eu me dediquei à família, tudo o que fazia e pensava, era sempre voltada para as filhas e a casa.
Como sempre fui dedicada aos estudos, queria o mesmo para minhas filhas. Acompanhava com dedicação e educação escolar de Cristiane. Tinha o hábito de revisar seus cadernos. Comecei achar muito estranha a maneira como ela estava sendo alfabetizada. Eu estava muito confusa, achava que ela não ia aprender a ler.
Certo dia tomei a decisão de ir falar com a professora. Questionei-a, quase que afirmando que daquele modo usado, Cristiane não iria aprender. A professora “tentou” me acalmar dizendo que agora se ensinava daquele jeito.
Confesso que fiquei meio intrigada. E, daí em diante comecei a mudar minha maneira de “pensar a educação”. Como se faz necessária a atualização de conhecimentos.
Resolvi voltar a estudar e me reciclar. Fazer outra faculdade não seria possível, financeiramente falando.
Foi ai que através de uma prima, fiquei sabendo da nova modalidade do Curso Normal – Habilitação em Magistério, que o Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, estava oferecendo. O mesmo teria duração de 02 anos. Realizei a prova de seleção e, ingressei no curso. Novamente no IEEOA.
QUINTO ÁLBUM
...Fiz uma opção por uma profissão que se pauta na relação de gente como a gente. Tarefa complicadíssima! Basta pensar nas relações entre marido e esposa e nas relações entre pais e filhos. Só que nesta relação ninguém estudou, apostou num retorno.
Nosso caso é ainda mais complicado, porque essa relação se dá num lugar, com uma função específica: educar, formar pessoas…
Comecei o curso em 1999, depois de onze anos sem estudar.
Durante o curso, prestei concurso publico para a arede municipal, para lecionar no Ensino Fundamental – séries finais, fui aprovada. Fiquei surpresa quando recebi uma ligação da SEC, que seria nomeada para zona rural, lecionar História e Geografia de 5ª a 8ª série, pois o concurso que prestei era para zona urbana.
Organizei a documentação e fui até à SEC, convencê-los a me lotar na zona urbana. Expliquei para qual categoria havia prestado as provas, que tinha casa, filhos em fase escolar, estava cursando o Normal, e que ficaria inviável me deslocar á zona rural e La permanecer toda a semana, “abandonando” minha vida urbana. A resposta foi curta e direta: a necessidade é para lá.
Esse fato marcou muito minha vida, pois não assumi, perdi a 1ª chance de começar a trabalhar como profissional da educação. Fiquei arrasada por vários dias, com uma dor enorme em perder a nomeação.
Mas, isso tudo fez com que eu ganhasse mais força para continuar o Curso Normal.
No ano de 2000, a Mariane ingressou na Educação Infantil, nível A, no Jardim Municipal Mário Quintana, hoje EMEI Mário Quintana. Ela ficava na aula e eu ia para o curso, nossos horários combinavam entrada e saída. Muitas vezes ela teve que me acompanhar em aula, por sair mais cedo ou algo parecido, mas tudo contornável.
Durante o curso, nas tarefas extra-classe (observações, monitorações , observações…) vi que não era tarefa fácil, mas, já tinha começo, já havia perdido a nomeação. Tudo era força para seguir em frente.
O Curso Normal me proporcionou muitas experiências. Umas um tanto chocantes, como as observações realizadas nas creches e escolas da rede municipal de Alegrete. Só então tive a oportunidade de vivenciar na prática o total contraste em relação à teoria. Como aquelas “educadoras” dificultavam a parceria entre pratica e teoria.
Por que essa rejeição? Tem medo da mudança? Preferem ficar na mesmice, no “antigamente era assim e dava certo, pra que mudar”. Vai virar bagunça?!?
Ao mesmo tempo que essa experiência me chocou, aumentou minha vontade de debater sobre o assunto, realizar mais leituras, aprofundar meu conhecimento e concluir logo o curso, para abraçar uma sala de aula, uma turma, os alunos, as pessoas, os seres humanos que são merecedores de atenção e respeito as suas diferenças.
É claro, houveram momentos lindos, marcantes, como: algumas professores quase se aposentando, buscando mais, cursando Pedagogia de Férias, pondo em prática o que lá “aprenderam”, oportunizando os alunos a expor sua opinião etc.
Outros como diversas elaborações de planos de aulas junto das outras normalistas. Eram trocas de idéias que só acrescentavam para o curso, para nós.
Trabalhávamos muito com a realidade, com o atual, com o possível e, até com o impossível. Eram obras de arte com material reciclável, releituras de artistas como Van Gogh, da Vinci, Tarsila…,teatros etc.
Tardes a fio naquela biblioteca do Centro Cultural, estudando os pensadores e filósofos. Freinet, Vygotski, Wallon, Piaget, Emília Ferreiro, entre outros. Foram proveitosos seminários com a participação de surpreendentes pesquisadores e estudiosos da área da educação.
Os debates mais fervorosos eram e relação ao Mestre Paulo Freire, acreditávamos no construtivismo. Para nós era nítida e possível a idéia de que a educação deves estar interligada com o cotidiano. Que nossos alunos tem o direito de fazer usos de suas relações com o mundo, de suas vivencias. Que nós faríamos a diferença.
Qualquer pessoa que trabalhe com educação, seja em que nível for, por estar ajudando a formar um cidadão, tem como dever ser critica em relação à sociedade em que vive.
Foi com o Curso Normal que realizamos a excursão “Conhecendo a Capital”. Maravilhosa. Era a nossa turma de1º ano, a turma de formandos e alguns professores do curso. Fomos à Feira do Livro, ao Museu Tecnológico da PUC, ao Mercado Público, a lugares históricos da capital, ao Zoológico de Sapucaia do Sul, ao Shooping… foi esplêndido.
Bem, chega de viajar, vamos aterrizar.
Formou-se então uma turma de mulheres maduras, experientes, mães, com histórias de vida singulares e agora prontas para ingressar na área educacional e mostrar como faz, fazendo.
“Nós, professores, precisamos acreditar na educação como a grande possibilidade de transformação. A partir do momento que escolhemos essa profissão, apesar das dificuldades, temos responsabilidades muito serias a cumprir. Precisamos perceber as diversas potencialidades presentes em uma turma desenvolvê-las. Dessa forma, os estudantes serão multiplicadores dos conhecimentos e dos valores sistematizados na escola.
Nosso papel é ajudar a fazer a diferença, tanto na sala de aula como na vida dos estudantes e da comunidade. Se acreditarmos que isso é possível, os alunos também acreditarão!”
Fiz o estágio em 2002 em uma série com 12 alunos, na Escola Estadual Marquês D’Alegrete. Mas, era como se tivesse 24.
Foi um desafio enorme e muito positivo.
SEXTO ÁLBUM (em vigência)
Em março de 2004, assumi uma turma de 3ª série e Escola Municipal de Educação Básica Valdemar Borges, onde até hoje leciono num regime de 20h semanais.
Nesta escola, vivencio na prática, tudo o que abordamos durante o Curso Normal. Como todo o principio de uma nova trajetória surgiram, é claro, diversos obstáculos e experiências construtivas.
Um fato marcante que ocorreu neste primeiro ano de prática, foi que além de me deparar com a diferença de faixa etária, tive uma aluna que necessitava do acompanhamento da mãe em sala de aula. Me senti como se tivesse o tempo todo sendo observada e com “ares” de reprovação. Batia a insegurança.
Porém com o passar do tempo e com o contato diário, consegui contornar a situação, afinal, era uma turma com mais de 30 alunos, cada qual com suas dificuldades, entre elas de leitura, de relacionamento…e, eu como educadora, buscando saná-las de maneira prazerosa e conquistadora.
Já no 2º ano de prática, eu já um pouco menos ansiosa, sabendo “lidar” com a rotina de trabalho, consegui administrar e alcançar os objetivos propostos, junto da classe.
Agora, com cinco anos de experiência, e por muitas vezes ter em sala, alunos com idade de 08 a 15 anos, busco conhecimento na área do EJA. Assim, ingressei no PROEJA onde quero atualizar-me nesta categoria.
Mais do que nunca penso que nunca devemos desistir dos nossos objetivos. Devemos sempre ir em busca de nossos sonhos, por mais que a caminhada seja árdua. Pois é por caminhos difíceis que se conquistam os bens mais elevados.
A PRÁTICA NOS ENSINA
Paulo Freire
Não podemos duvidar que a nossa prática nos ensina.
Não podemos duvidar de que conhecemos muitas coisas por causa de nossa prática. Não podemos duvidar, por exemplo, de que sabemos se vai chover ao olhar o céu e ver as nuvens com uma certa cor. Sabemos até se é chuva ligeira ou tempestade a chuva que vem.
Desde muito pequenos aprendemos a entender o mundo que nos rodeio. Por isso, antes mesmo de aprender a ler e a escrever palavras e frases, já estamos “lendo”, bem ou mal o mundo que nos cerca. Mas este conhecimento que ganhamos de nossa prática não basta. Precisamos ir além dele. Precisamos conhecer melhor as coisas que já conhecemos e conhecer outras que ainda não conhecemos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Bruschini, C., Amado T – Estudos sobre a mulher e a educação.
Nóvoa, A – Vida de Professores
Freire, Paulo – A Pedagogia da Autonomia
Freire, Paulo - A Pedagogia do Oprimido
segunda-feira, 30 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Iniciando o blog
Estou fazendo o curso de formação de professores_PROEJA_ no Instituto Federal Farroupilha.
Este espaço será para publicação virtual de trabalhos.
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